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22/07/2010

Mostra inédita no País reúne obras do artista ucraniano Salomon Smolianoff

Até o próximo dia 31, a sala O Retrato, no 4º andar do Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV), estará sediando uma exposição inédita no País, a qual reúne 13 quadros do pintor judeu ucraniano Salomon “Saly” Smolianoff (1897-1976), sendo sete gouaches, três óleos sobre tela, dois desenhos a lápis e uma aquarela. O público terá a chance de conferir, portanto, a obra deste hábil artista plástico, que ainda é conhecido por ter protagonizado uma pitoresca história durante a Segunda Guerra Mundial. Preso em um campo de concentração, era obrigado a fazer as matrizes de libra e dólar para que Adolf Hitler pudesse financiar suas conquistas territoriais, em um programa de falsificação de dinheiro designado como Operação Bernhard.

Nascido em Kremenchuk e formado em artes plásticas em Odessa, ambas cidades ucranianas, Salomon fixou residência no Uruguai após o conflito e, em seguida, quando a Interpol fechou o cerco e divulgou seu passado entre a elite uruguaia, em Porto Alegre, onde terminou seus dias anonimamente. Morador de um apartamento de dois quartos, localizado na Avenida João Pessoa, que também era utilizado como ateliê, o artista tinha um estilo de vida discreto – tanto que sequer assinava o próprio nome nas obras que vendia à elite porto-alegrense – e sobreviveu até o final da vida com a venda de quadros.

A biografia de Saly, com seus conflitos de consciência por ter sido o principal falsário recrutado pelo exército alemão, foi revelada no filme austríaco Os Falsários, vencedor do Oscar na categoria de melhor longa metragem estrangeiro, em 2008. A escolha para a equipe de falsificadores do campo de concentração foi motivada porque Smolianoff, contrário ao regime comunista, já havia falsificado dinheiro russo com o intuito de desestruturar a União Soviética. Antes do regime nazista, portanto, ele já havia sofrido a perseguição dos comunistas da Ucrânia.

As obras de Salomon Smolianoff, reunidas no CCCEV, pertencem à artista plástica Anico Herskovits, curadora da exitosa trilogia Gráfica Gaúcha, projeto realizado em três etapas desde 2007 e que consistiu no mapeamento da produção gráfica do Rio Grande do Sul. Os pais de Anico, que cedeu as obras para a exposição, conheceram Saly na viagem de navio que os levou da Itália ao Uruguai e mantiveram contato com o artista naquele país e, mais tarde, em Porto Alegre. Anico descreve a obscura trajetória de Salomon, que, de artista talentoso, passou à posteridade como famoso falsificador.

“Ele começou a falsificar dinheiro a convite de um professor, a fim de salvar prisioneiros do governo. Foi preso primeiro pelos comunistas, depois pelos nazistas e, por fim, monitorado implacavelmente pela Interpol. Ao fim dos combates, foi para a Itália e, posteriormente, ao Uruguai, onde tinha familiares. Descoberto pelas elites que o sustentavam, comprando seus retratos de pintura tecnicamente impecáveis, preferiu refugiar-se em Porto Alegre. Salomon deixou marcas através de sua paixão pela arte. Uma arte não reconhecida, eclipsada pela sua participação em um acontecimento que marcou a história mundial”, conta a artista plástica. A mostra tem horário de visitação diferenciado, de terças a sextas-feiras, das 12h às 19h, e aos sábados, das 12h às 18h. O Centro Cultural CEEE Erico Verissimo está localizado à Rua dos Andradas, 1223, Centro Histórico. A entrada é franca.

O que: exposição com obras do pintor ucraniano Salomon Smolianoff.

Onde: Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV), localizado à Rua dos Andradas, 1223, Centro Histórico – Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Quando: até 31 de julho. O horário de visitação é de terças a sextas-feiras, das 12h às 19h, e aos sábados, das 12h às 18h.

Quanto: entrada franca.

Fonte: Texto: Carla Damasceno Ferreira. Foto: divulgação. ACS/Grupo CEEE.

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