Notícias

Arte funerária será o tema de exposições e fórum no CCCEV

Centro Cultural do Grupo CEEE sedia as mostras Arte Imortalizada no Silêncio e Tempo dos Anjos

Por admin / Publicado: 04/08/2010 Última modificação: 18/10/2019 16h27

Compartilhar

A arte cemiterial é o tema de duas exposições no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo (CCCEV). Pesquisadores, profissionais atuantes em cemitérios e nas áreas de preservação do patrimônio histórico, bem como os admiradores da emotiva representação da realidade sobrenatural própria das necrópoles, poderão conferir as exposições Arte Imortalizada no Silêncio e Tempo dos Anjos, que iniciaram, respectivamente, nos dias 3 e 4 de agosto. Ambas as mostras reúnem fotografias e aquarelas, as quais revelam a suntuosa arquitetura dos cemitérios antigos, que, com seus mausoléus, sepulcros, lápides, epitáfios, esculturas e iconografia, abrigam os restos mortais de anônimos – abastados ou não – e figuras ilustres.

A divulgação e a preservação do acervo de arte funerária, encontrado nas necrópoles porto-alegrenses da Santa Casa de Misericórdia e dos cemitérios São Miguel e Almas, São José e Evangélico, é o propósito da exposição Arte Imortalizada no Silêncio, que estará sediada na Sala Memorial Erico Verissimo, no 3º andar do CCCEV, e reunirá um conjunto de 18 aquarelas sobre o tema, de autoria da artista plástica Laky Gatti. Neste trabalho, Laky retratou importantes obras de arte tumular da Capital gaúcha, a qual abriga um próspero acervo escultórico em seus cemitérios. A arte cemiterial do Estado, que encantou a artista há cerca de seis anos, é produto do intenso trabalho das marmorarias: firmas que movimentaram a produção ornamental tumular entre o final do século XIX e a primeira metade do XX.

Destaque em mostras de âmbito nacional e internacional, com aquarelas na França, Alemanha, Suécia e Espanha, Laky Gatti, apresentará, no CCCEV, o resultado de um trabalho para o qual dedicou um minucioso exercício pictórico, cuja finalidade é a de despertar a apreciação e o reconhecimento de uma arte afastada, isolada em um terreno silencioso, discreto e, por vezes, desconhecido. Se no Brasil é lugar-comum relacionar os cemitérios à negatividade e a um mero depósito de cadáveres, onde as visitas limitam-se ao Dia de Finados e velórios, no exterior estes espaços não são considerados tétricos e são vistos como verdadeiros museus a céu aberto e pontos turísticos – a exemplo dos cemitérios da Recoleta, em Buenos Aires, e Père Lachaise, em Paris, e de museus temáticos, como o de Cultura Sepulcral, em Kassel (Alemanha). Laky está entre os poucos que ignoram o preconceito sobre o assunto e cuja sensibilidade alcança a beleza melancólica que adorna os jazigos.

A artista plástica conta que o interesse pela arte cemiterial surgiu a partir de uma visita ao cemitério, quando pôde observar atentamente o lado artístico do lugar. “É um tema que, à primeira vista, causa algum estranhamento. As pessoas costumam achar bizarro e querem manter-se afastadas, mas a arte cemiterial é caracterizada por uma delicadeza que mexe com a emoção e, além disso, a história de uma cidade também se traduz pelas imagens dos cemitérios. Em outros tempos, o poderio econômico era muito ressaltado através das homenagens que as famílias abonadas prestavam a seus entes queridos. Já observei vários cemitérios no Brasil. No RS, o de Jaguarão, por exemplo, é riquíssimo em obras de arte”, explica Laky, cuja mostra de aquarelas sobre o tema é considerada pioneira no País. “De acordo com a Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais, não há registros de exposições de aquarelas com esta temática no Brasil, onde a arte funerária está mais relacionada à fotografia”, acrescenta a artista plástica.

A artista evoca nas aquarelas as esculturas em pedra e metal, contrapostas, na perenidade destes materiais, à fluidez das lágrimas quase visíveis nos rostos de pranteadoras e anjos. Arte Imortalizada no Silêncio tem curadoria de Luiza Fabiana Neitzke de Carvalho, Mestre em História, Teoria e Crítica de Arte pelo Instituto de Artes da UFRGS e especialista em Patrimônio Cultural pelo Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Pelotas. Luiza, que está entre os fundadores da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais, pesquisa cemitérios desde 2003 e realiza visitas guiadas pelas necrópoles de Porto Alegre, através do Programa Viva o Centro a Pé, da Prefeitura Municipal. O projeto tem atraído centenas de visitantes aos cemitérios da Santa Casa de Misericórdia e Evangélico.

“A preservação deste valioso patrimônio carece de ações efetivas. Atualmente, as obras de arte são ameaçadas pela modernização das necrópoles, o vandalismo e o desgaste ocasionado por intempéries. Atualmente, a consciência do valor desta arte tem obtido reconhecimento e até algum incentivo, mas não em sua totalidade, uma vez que determinados acervos já sofreram uma total descaracterização. Em curto espaço de tempo, obras e túmulos que povoavam duas necrópoles de Porto Alegre foram removidos um por um, resultando na desertificação do acervo de um cemitério”, revela Luiza. Arte Imortalizada no Silêncio fica no CCCEV até 28 de agosto. A entrada é franca.

Tempo dos Anjos

Ciente da elevada qualidade da arte cemiterial no Brasil, que em nada deve a sua influência européia, o fotógrafo Sérgio Vaz, cujo trabalho poderá ser conferido no CCCEV, de 4 a 18 de agosto, desenvolveu o gosto pelo tema ainda na infância, por volta dos cinco anos de idade, quando já visitava cemitérios, acompanhado pela mãe. As fotografias de Sérgio estarão reunidas na mostra Tempo dos Anjos, sediada na Sala O Retrato, no 4º andar do CCCEV, com entrada franca. São 19 imagens, coletadas em cemitérios do Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, que enfocam principalmente os anjos. Fascinado pelo assunto desde 2001, ele irá expor no CCCEV registros fotográficos das necrópoles da Santa Casa de Misericórdia, em Porto Alegre, e dos fluminenses São João Batista, São Francisco Xavier (conhecido como Cemitério do Caju) e Memorial Nossa Senhora do Carmo.

“Sempre que visito cemitérios, fico ansioso em rever os anjos e imagino avistá-los de surpresa, como se tivessem esquecido a posição em que estavam na última vez que os vi. Chamam-me a atenção a simbologia, as expressões das figuras humanas e as histórias contadas através dos monumentos: ora dor e sofrimento, ora crianças com camisolinhas ou roupas de dormir, preparando-se para o ‘sono eterno’; anjos que descem à Terra para encaminhar as almas, olhares de esperança e desconsolo”, enumera o fotógrafo. Além do interesse pela beleza visual e singularidade da arte funerária, Sérgio Vaz demonstra seu respeito e admiração por esta expressão artística através de uma preocupação com o vandalismo que ocorre nos cemitérios, os quais são vitimados por roubos e depredações diversas, além de outras interferências, como a construção de estacionamentos.

“A fotografia possibilita o deslocamento desta arte a outros espaços, de modo a divulgá-la ao público que, por preconceito, não tem o hábito de freqüentar cemitérios. A estatuária retratada nas fotos rompe os muros da necrópole e ganha o mundo, conquistando a simpatia daqueles que, muitas vezes, sequer atentam para a existência destas esculturas. Fomos educados acreditando que os anjos nos protegem, mas agora os papéis foram invertidos e cabe a nós protegermos os anjos”, enfatiza Sérgio, que, em suas imagens, ainda explorou obras já desgastadas, que não recebem nenhum tipo de tratamento.

O Centro Cultural CEEE Erico Verissimo está localizado à Rua dos Andradas, 1223, Centro Histórico. O horário de visitação é de terças a sextas-feiras, das 10h às 19h, e aos sábados, das 11h às 18h.

Saiba mais sobre Laky Gatti

Natural de Porto Alegre, Laky Gatti iniciou sua formação artística no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre, em 1968. Obstinada pelo domínio da técnica e do desenho, estudou com Nathaniel Guimarães, Jorge K. da Rosa, Valdo Rechelo, Solange Vignole e Plínio Bernhardt, além de ter freqüentado oficinas no Margs e no Atelier Livre. Em 1995, abriu seu próprio atelier, onde desenvolve seu trabalho e ministra aulas de aquarela. Laky Gatti tem obras em instituições patrimoniais, como o IPHAE de Paraty, no RJ, e obras em acervo no exterior.

Saiba mais sobre Sérgio Vaz

 Natural de Rio Grande, o fotógrafo Antônio Sérgio de Sena Vaz é funcionário dos Correios desde 1996 e, atualmente, trabalha no Espaço Cultural Correios, sediado no prédio do Memorial do Rio Grande do Sul. Além da fotografia, cria máscaras conceituais, com a técnica de papietagem, e gravuras com recortes de papel. Seus trabalhos fotográficos vêm ganhando destaque, em exposições como Sobre as Águas e Recicle-se, realizadas no Memorial do Rio Grande do Sul. Realiza exposições com obras criadas a partir do reaproveitamento de materiais recicláveis ou elementos da natureza que perderam sua função. Suas fotos já foram publicadas no Jornal do Margs e em catálogos de turismo editados pela Prefeitura de Porto Alegre e pela Fundação Porto Alegre Convention & Visitors Bureau. 

Exposições serão complementadas pelo Fórum Arte Funerária de Porto Alegre

Com o propósito de fomentar o debate e a reflexão sobre a importância do patrimônio artístico funerário da Capital, o auditório Barbosa Lessa, localizado no 4º andar do CCCEV, irá sediar, no próximo dia 17, quando é celebrado o Dia do Patrimônio, o Fórum Arte Funerária de Porto Alegre: monumentos para as futuras gerações – conhecer, inventariar e preservar. As organizadoras são Lakys Gatti e a curadora da exposição Arte Imortalizada pelo Silêncio, Luiza Fabiana Neitzke de Carvalho.

Irão ministrar palestras o Prof. Dr. Arnoldo Doberstein, professor da área de História da PUC-RS; o Prof. Dr. José Francisco Alves, especialista em Arte Pública e Escultura no RS, Ana Beltrami, coordenadora de Área Técnica do IPHAN-RS e Maria Beatriz Kother, diretora do IPHAE. O turismo como aliado da preservação da arte funerária, a legislação como instrumento de preservação da arte funerária e os incentivos fiscais e econômicos para as administradoras que conservam esta herança histórica serão alguns dos temas abordados, no Fórum, que terá início às 14h. Inscrições gratuitas podem ser efetuadas através do e-mail cemiteriospoa@gmail.com , com Luiza.

O que: exposição Arte Imortalizada pelo Silêncio.

Quando: abertura dia 3 de agosto, às 19h19min. Fica no CCCEV até 28 de agosto.

Onde: Sala Memorial Erico Verissimo, no 3º andar do CCCEV, localizado à Rua dos Andradas, 1223, Centro Histórico.

Quanto: entrada franca.

 

O que: exposição Tempo dos Anjos.

Quando: abertura dia 4 de agosto, às 10h. Fica no CCCEV até 18 de agosto.

Onde: Sala O Retrato, no 4º andar do CCCEV, localizado à Rua dos Andradas, 1223, Centro Histórico.

Quanto: entrada franca.

 

O que: Fórum Arte Funerária de Porto Alegre: monumentos para as futuras gerações – conhecer, inventariar e preservar.

Quando: dia 17 de agosto, das 14h às 18h.

Onde: auditório Barbosa Lessa, no 4º andar do CCCEV, localizado à Rua dos Andradas, 1223, Centro Histórico.

Quanto: entrada franca.

Observação: Inscrições gratuitas podem ser efetuadas através do e-mail cemiteriospoa@gmail.com , com Luiza.

 

Fonte: Texto: Carla Damasceno Ferreira. Foto: reprodução de aquarela de Laky Gatti.

Últimas Notícias

Categoria
A CEEE
Data
04/07/2020

CEEE recompõe energia para 99% dos clientes

Categoria
A CEEE
Data
24/06/2020

CEEE-GT vai ampliar capacidade da Usina de Bugres