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CCCEV sedia Iconografia Sul-Riograndense de Plínio Bernhardt

Projeto resgata 60 anos de trabalho do artista gaúcho.

Por admin / Publicado: 17/03/2009 Última modificação: 18/10/2019 16h26

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Devido a sua vasta produção, de grande riqueza de conteúdos e configurações, o Projeto que inicia com a exposição "Iconografia Sul-Riograndense de Plínio Bernhardt" no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo será realizado em mais de uma mostra, todas em Instituições públicas de reconhecida atuação no panorama cultural. No conjunto, a mostra apresenta cerca de 100 obras em técnicas variadas (desenho, pintura, xilogravura, litografia, serigrafia, e tecnicas mistas). Este conjunto reúne um repertório de imagens relacionadas à cultura e história do Rio Gande do Sul. São obras que se referem à identidade cultural do nosso Estado e à memória artística, na medida em que resgatam o nosso patrimônio cultural.

 

O projeto exibe obras desde o início da carreira de Plínio (anos 40) até as mais recentes, composta por uma série relacionada à figura do gaúcho, às Missões de São Miguel, paisagens do pampa e paisagens urbanas, casarios históricos, igrejas e arte sacra, entre outras. Aliado às telas,  documentos, revistas e fotografias do acervo documental do artista sobre suas viagens e a história de sua produção.

Plínio foi um grande defensor do Patrimônio arquitetônico. Juntamente com outros intelectuais contemporâneos seus, tendo registrado desenhos de prédios históricos, alguns dos quais já não existem mais. Esta mostra possibilitará ao grande público a oportunidade de reconhecer o seu patrimônio e sua identidade através da arte, em um momento no qual isso se torna muito necessário para o fortalecimento da sociedade pelo seu imaginário e sua história.

 

Plínio foi também exímio desenhista, tendo sido professor de desenho da figura humana até o final de sua carreira, nas dependências do MARGS - Museu de Arte do Rio Grande do Sul, instituição na qual exerceu cargo de diretor e foi um dos responsáveis por sua consolidação e transferência definitiva para a atual sede na Delegacia Fiscal do Estado, na Praça da Alfândega, em Porto Alegre.

 

Complementa e ilustra a mostra, um vídeo com imagens significativas da sua carreira e de suas obras, incluindo uma prévia das obras das outras duas mostras que complementarão o projeto.

 

O Projeto Plínio Bernhardt tem coordenação geral de Yvonne Bernhardt, esposa do artista, museóloga e jornalista e que durante muitos anos foi profissional ligada à cultura do nosso Estado, tendo exercido cargos na Secretaria de Estado da Cultura, e IPHAN, entre outros. A Curadoria Geral é de Círio Simon, e aAdjunta do artista plástico Vinício Giacomelli que integra também a equipe de pesquisa, juntamente com a artista plástica Maril Simões Rodrigues.

 

Iconografia Sul-Riograndense de Plínio Bernhardt

 

Abertura: 18 de março de 2009, às 19 horas

Visitação: 19 de março a 18 de abril

Local: Sala O Arquiélago

Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, Rua dos Andradas, 1223 - Porto Alegre/RS

Entrada Franca

 

 

PLÍNIO LIVI BERNHARDT (1927 – 2004)

uma VIDA SERVINDO à ARTE e ao PATRIMÔNIO CULTURAL

Círio Simon

 

A exposição de Plínio Livi Bernhardt é um convite para uma contemplação lenta e prolongada da obra de um mestre. Obra que teima em guardar, como a própria vida, segredos e mistérios imponderáveis da vida deste ente singular e único e querido de todos. Obra elaborada com vagar, ciência e sensibilidade incensada por largas baforadas aromáticas, tiradas do seu lendário cachimbo.

Uma equipe das mais sensíveis preparou, na máxima gratuidade e diligência, uma exposição que promete ser o aperitivo de um vasto projeto para socializar a obra, pensamento e vida do diretor do MARGS na época de sua mudança para sede atual. Seguirão um livro, uma exposição onde ele foi diretor e a revitalização do mercado de arte onde suas peças sempre foram valorizadas como aquilo de mais elevado nível se produziu no Rio Grande do Sul.

O grande acervo das obras deste artista, silencioso e doméstico, encontra-se ainda ao amparo e aconchego de sua família. A sua esposa, Yvonne Oliveira da Cunha, foi a orientadora zelosa da equipe que agora leva ao público esta patrimônio que o artista havia prometido mostrar à cidade antes nos deixar.

Em todo este processo, o primordial é a obra de arte, que enriquece e potencializa o sistema de arte sul-rio-grandense. Sistema que encontrou momentos de consolidação decisivos na ação e na obra do Plinio.

Este texto nada pode mostrar da vida que anima esta obra. Reserva-se esta a felicidade desta descoberta a quem for conferir, ao vivo, a obra original de Plínio Livi Bernhardt.

 

Círio Simon– curador do projeto Plínio Bernhardt

 

PLÍNIO LIVI BERNHARDT E A ICONOGRAFIA SUL-RIOGRANDENSE

 

Vinício Giacomelli¹

 

As pesquisas sobre a obra de Plínio Bernhardt  tem nos revelado um conjunto de grande densidade e significado. Em cerca de sessenta anos de produção plástica, este artista produziu uma quantidade significativa de obras que se referem tanto às representações mais fiéis do real e suas características figuras de referência, quanto às poéticas visuais própriamente ditas, imersas em linguagens que Plínio utilizou com grande sabedoria, sempre dentro de um estilo muito pessoal e original. Com esta grande quantidade de configurações presentes no conjunto do acervo deixado pelo artista, seria demasiado ambicioso de nossa parte realizar uma única exposição envolvendo todas as fases, sem comprometer a compreensão de sua obra. Por esse motivo, a realização do projeto de resgate de sua produção dar-se-á em mais de uma mostra, sendo a primeira delas a Iconografia Sul-Riograndense, da qual resultará a publicação de um livro-catálogo.

Plínio produziu ao longo de sua carreira um conjunto de obras voltadas para o registro e a permanência daquilo que considerava importante para a sociedade – a sua identidade cultural. Identidade esta, expressa em seus casarios históricos de elaborada arquitetura, suas paisagens pitorescas e árvores fantásticas, suas visões das cidades, suas ruas e praças, suas igrejas e seus santos e – como não poderia deixar de ser – seu povo gaúcho.

Defensor incondicional do patrimônio cultural de nossa terra, Plínio foi um verdadeiro cidadão no pleno exercício de sua cidadania. Manteve a memória artística viva através de suas belas obras, como se talvez soubesse que seria a única maneira de preservá-la do esquecimento e da rápida transformação do mundo.

Sua força e determinação se faz sentir tanto nas primeiras viagens de pesquisa, como às Missões de São Miguel nos anos 40, de onde resultaram importantes obras, até episódios mais recentes como a campanha de preservação da Igreja do Bom Fim na Av Osvaldo Aranha, em Porto Alegre, ameaçada de demolição e felizmente preservada.

Plínio é um exemplo a ser seguido por todas as gerações de artistas que o sucedem, um homem erudito e atual, objetivo e imaginativo, que honrou o compromisso com a arte, a vida e a cultura, enriquecendo o universo à sua volta com a essência de seu pensamento.

Reuniu-se, portanto, um conjunto de imagens que traduzem este espírito de preservação das nossas raízes culturais na Iconografia que agora é revelada ao público em obras inéditas, produzidas  desde os anos 40 até os nossos dias, num espetáculo emocionante de arte e história, que só a sensibilidade de um grande artista como Plínio Livi Bernhardt poderia criar.

 

¹Vinício Giacomelli é artista plástico formado pelo Instituto de Artes da UFRGS. Tem atuado na área cultural no Rio Grande do Sul, como coordenador em instituições públicas e colaborador em projetos e publicações na área de artes visuais. É Curador Adjunto e Pesquisador no projeto Plínio Bernhardt como convidado.

 

 

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