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CEEE e Furg promovem pesquisa sobre bioeletricidade

Convênio prevê o desenvolvimento de pesquisa sobre fonte alternativa de energia

Por admin / Publicado: 21/03/2011 Última modificação: 18/10/2019 16h27

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A Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica (CEEE-GT) e a Universidade do Rio Grande (Furg) firmaram convênio terça-feira (15) para o desenvolvimento de pesquisa sobre a bioeletricidade, fonte alternativa de geração de energia, obtida a partir da conversão de resíduos líquidos dos esgotos urbano e industrial em eletricidade. Intitulado Geração Biológica de Energia Elétrica a Partir de Fontes Alternativas, o projeto integra o programa de 2011 da área de Pesquisa e Desenvolvimento do Grupo CEEE e tem o propósito de unir esforços para inserir o conhecimento desta tecnologia, mundialmente investigada, no Estado, cuja essência baseia-se na capacidade de alguns micro-organismos de transferir elétrons dos compostos orgânicos e inorgânicos, presentes nos resíduos, para um eletrodo, produzindo uma corrente elétrica.

A Empresa e a instituição de ensino irão avaliar a viabilidade técnica, econômica e ambiental desta fonte para a futura matriz energética, que poderá possibilitar o aproveitamento dos resíduos líquidos desperdiçados pela sociedade e indústrias e garantir sustentabilidade. O projeto terá a duração de dois anos e englobará diversas etapas, incluindo a caracterização química, física e biológica dos resíduos, o desenvolvimento de um reator para conversão destes detritos em eletricidade e a avaliação econômica do processo de geração biológica de energia elétrica. A idéia é obter uma tecnologia passível de ser utilizada pelas empresas do setor elétrico.

O investimento de cerca de R$ 1 milhão poderá render visibilidade à Empresa e à instituição de ensino, bem como possibilitar retorno financeiro, mediante a detenção dos direitos de propriedade intelectual do processo a ser desenvolvido. O projeto envolve docentes e alunos da Escola de Química e Alimentos da Furg e está a cargo da coordenadora dos cursos de Engenharia Química e Agroindustrial da universidade, a professora Christiane Saraiva Ogrodowski. Na CEEE, é gerenciado por Marcelo Fank Fraga, engenheiro químico da Divisão de Meio Ambiente da CEEE-GT. “Pretendemos desenvolver esta tecnologia do projeto conceitual ao preliminar, de modo a gerar resultados que darão suporte para sua avaliação e implementação em um processo industrial”, antecipa Christiane.

Desde 1911, ano de sua descoberta, a bioeletricidade foi alvo de investigações ao redor do mundo, através do estudo de diversos efluentes. Somente nos últimos dois anos, porém, é que foi apresentada como procedimento para geração de eletricidade. Em 2009, mais de 200 publicações em periódicos internacionais abordaram o tema. O conhecimento deste processo está concentrado na América do Norte, Europa, Ásia e Oceania. Na América do Sul não há o registro de nenhum trabalho publicado em revistas internacionais e, no Brasil, o assunto é introduzido aos poucos entre os grupos de pesquisa.

Saiba mais

Em um mundo onde as mudanças climáticas obrigam a diversificar a matriz energética, a busca por fontes alternativas, como a bioeletricidade, pode assegurar o desenvolvimento aliado à proteção ambiental. No Rio Grande do Sul estima-se que são gerados em torno de 1,5 milhões de metros cúbicos por dia de esgoto sanitário, composto por matéria orgânica biodegradável que pode ser convertida biologicamente em energia elétrica. A aplicação desta nova tecnologia no tratamento de esgoto sanitário é focada na maioria das pesquisas realizadas pela comunidade científica. Estima-se que possa ser gerado até 86 Watts por quilo de DQO (Matéria Orgânica) degradada, significando uma produção de 2,6 Megawatts para o tratamento do esgoto sanitário de uma cidade com 100 mil habitantes.

Segundo a Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul, aproximadamente 76% das indústrias localizadas nos aglomerados urbanos das regiões Metropolitana, Nordeste, Litoral Norte e Sul têm alto potencial poluidor. Estes efluentes são caracterizados por alta concentração de matéria orgânica, enxofre e compostos nitrogenados e aromáticos, materiais que poderiam ser usados para geração de energia e, portanto, convertidos em compostos de menor capacidade poluidora.

Na foto, o Diretor de Planejamento e Projetos Especiais do Grupo CEEE, Luiz Antônio Tirello (primeiro à esquerda), assina convênio com o reitor da Furg, João Carlos Brahm Cousin (último à direita).

Fonte: Carla Damasceno Ferreira (texto) e Beto Rodrigues (foto).

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