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Obra da CEEE revela segredos da Porto Alegre do início do século XX

Trecho com escavação para nova linha de transmissão revela muro no Centro Histórico da Capital

Por admin / Publicado: 18/02/2011 Última modificação: 18/10/2019 16h27

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Um trecho escavado na Praça Brigadeiro Sampaio, junto à avenida Presidente João Goulart, no Centro Histórico da Capital, revelou um trecho do muro que abrigava a praça no início do século. É possível identificar parte de uma letra pintada na parte externa da estrutura, além de diversos materiais depositados ali entre 1900 e 1920, como frascos e ampolas de medicamentos, cerâmicas e louças.

O muro veio à tona devido às obras de colocação de cabos de uma linha subterrânea de transmissão da CEEE, um investimento de R$ 71,8 milhões para melhorar a confiabilidade da energia na Região Metropolitana. A nova linha vai ligar a Subestação (SE) Porto Alegre 9, na entrada da cidade, à SE Porto Alegre 4, próxima ao Shopping Praia de Belas, e, além de usar tecnologias que minimizem os inconvenientes para a população, a obra tem acompanhamento de arqueólogos.

Desde o início das escavações, em outubro, já foram encontrados materiais do fim do século XIX e do início do século XX. O diferencial desta nova área, segundo o arqueólogo Alberto Tavares de Oliveira, é a concentração de frascos de remédios, panacéias (elixires para todos os males) e louças dos famosos cafés da cidade nos anos 10 e 20. “Na virada do século, cresceu a preocupação com a higiene dos cidadãos e foi criada a faculdade de Medicina. Também passou a ser proibido enterrar lixo nos quintais. Com isso, boa parte dos resíduos residenciais passou a ser jogada na orla do Guaíba, especialmente no Centro, que é onde a cidade de fato existia”, explica ele sobre o grande número de objetos encontrados na região da Praça Brigadeiro Sampaio.

Sobre a parte de uma letra encontrada no muro, Tavares acredita que poderia ser um anúncio publicitário ou a identificação da cidade, já que todo o transporte, na época, era feito por trens ou barco, e todos os produtos de importação e exportação passavam pelo Cais de Porto Alegre para ir a Rio Grande.

Entre as preciosidades retiradas do local, estão xícaras com a logomarca do Café Nacional, um dos mais importantes da Capital na época, louças das primeiras indústrias nacionais (que iniciaram sua produção em 1914) e frascos de panacéias como “Saúde da Mulher” e “King of Pain” (Rei da dor, em tradução livre), além de ampolas de medicamentos feitas de vidro selado artesanalmente. Todos os registros arqueológicos são enviados para o Museu de Porto Alegre Joaquim Felizardo, onde são lavados, identificados e catalogados.

Tavares comemora o fato de a obra ter permitido estas descobertas, especialmente pelo volume do material: “Para as outras pessoas, isso aqui é lixo. Para a arqueologia é um tesouro, um grande arquivo da cultura material que permite acessar os hábitos da sociedade gaúcha ao longo do tempo. Como diz aquela expressão, estamos felizes como pinto no lixo”.

 

Mais sobre a Linha de Transmissão Subterrânea:

No mapa em anexo, é possível visualizar o traçado do empreendimento, realizado pelo consórcio TPAE (Transmissora Porto-alegrense de Energia Elétrica), formado pela Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica (CEEE-GT) e Procable Energia e Telecomunicações S/A. Com 11,3 km de extensão, o projeto será implantado em duas partes. O primeiro trecho, de 5,7 km, fica entre a SE Porto Alegre 9, localizada na  rua João Moreira Maciel, e a futura SE Porto Alegre 7, na rua Ramiro Barcelos com a Avenida Castelo Branco. Nesta parte, a infraestrutura de dutos vai abrigar também uma linha de distribuição de 69 kV da CEEE-D. No segundo trecho, entre a SE Porto Alegre 7 e a SE Porto Alegre 4, na esquina das Avenidas Ipiranga com Praia de Belas, os dutos serão exclusivos da LT de 230 kV.

A expectativa de conclusão é de 13 meses, gerando 460 empregos diretos no período. Entre os benefícios, destaca-se a melhoria no atendimento da região metropolitana de Porto Alegre, com diminuição no risco de cortes de carga na ocorrência de eventuais contingências no sistema elétrico. Na prática, através dessa LT, os consumidores de energia elétrica da área central de da Capital, atendidos pela Subestação Porto Alegre 4, passam a receber energia de duas fontes de alimentação, uma que vem das Subestações Gravataí 2 e Nova Santa Rita.

Foram feitos diagnósticos ambientais sobre vegetação, solo e rochas, infraestrutura urbana, qualidade do ar, paisagismo, patrimônio histórico e cultural, recursos hídricos, volumetria das edificações, fauna e paisagem urbana. Durante a execução da obra, há acompanhamento técnico permanente de uma equipe formada por profissionais de diversas áreas da CEEE, além de monitoramento para minimizar a interferência no ambiente, incluindo avaliações arqueológicas em pontos determinados e o plantio de 228 novas árvores nas áreas de abrangência da obra.

 

Números e curiosidades sobre a obra:

  • A obra terá, no total, 11,3 km de extensão. São 45.200 metros de cabos de 230 kV e 34.200 metros de cabos de 69 kV. É a segunda maior Linha de Transmissão subterrânea do Brasil.
  • Os cabos de 230 kV foram produzidos na Coreia do Sul e chegaram pelo Porto de Rio Grande, onde estão armazenados.
  • No total, são necessárias 96 bobinas. Cada uma tem 4 metros de diâmetro, 7,7 toneladas e comporta cerca de 480 metros de cabo.
  • Para descarregar as bobinas no local da obra, é necessário o trabalho conjunto de dois guindastes.
  • Os cabos têm 13,6 cm de diâmetro e possuem oito camadas. Uma delas é de alumínio, que faz a blindagem e impede que haja interferência eletromagnética nas áreas em que serão instalados.
  • Haverá monitoramento de corrente e temperatura em toda a extensão da rede através de fibra ótica incorporada nos cabos.
  • Como contrapartida ao município, a CEEE também constrói um duto em que, futuramente, será instalada fibra ótica da Procempa.
  • Na área do Porto da Capital, os dutos serão feitos em uma área de apenas 80 cm para preservar a estrutura dos armazéns e os trilhos do trem, que são tombados.

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